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[Liga Narrativa] Começos

dom, fev 21, 2010

Contos

- Corre! Corre! Não para – Gritava o esbaforido Thomas – Eu acho que você irritou ele dessa vez.

- Eu irritei ele seu moleque sem juíza – Respondeu o gordo Edgar, que já quase não sentia mais as pernas que pediam descanso daquela enorme barriga que a pressionava para baixo – Assim que eu descansar eu vou acabar com você.

Os dois garotos corriam ladeira a baixo, a sua volta apenas gramínea e pequenas flores que cresciam naquela região agrícola, aquele era o primeiro dia de sol depois de quase um mês de chuvas e brincadeiras dentro dos muros do castelo e a primeira brincadeira dos garotos foi atormentar os dias calmos do velho cão Wolf, que corria tão exausto quanto Edgar.

- Olha o estábulo! Corre pra lá.

Thomas acelerou o passo ficando muitos metros a frente do cachorro e do amigo, entrou no estábulo e quase caiu ao chão ao tentar parar, correu para fechar o estábulo assim que o amigo entrou. Wolf latiu do lado de fora, de sua boca pingava a saliva em direção aos pequenos que incomodaram seu sono, seus olhos vermelhos fitavam o jovem enquanto latia sem parar ouvindo os risos dos garotos.

- Você é um grande idiota Thomas, da próxima vez vou ouvir minha mãe e ajudá-la na cozinha. Seu causador de encrencas – O garoto parou de falar ao perceber que o amigo não lhe dava atenção, com os olhos direcionados num canto que ele não conseguia ver – Ei Tom o que houve?

Edgar era uma criança gorducha para sua idade, com apenas 10 anos era maior e duas vezes mais largo que Thomas que já completara seu décimo segundo aniversario, a pele excessivamente branca exposta ao sol sempre ficava rosada o que dava a ele a aparecia de um grande bolinho. Os cabelos eram muito negros, assim como seus olhos o que contrastava diretamente com o amigo, magro, de pele morena, cabelos loiros e olhos azuis.

Após contornar o amigo ele finalmente percebeu o que o impressionava tanto, dentro de um baú muito bonito estavam um arco tão belo que encantou o jovem, feito de ossos e uma corda de qualidade, ao lado a aljava exibia flechas de pontas perfurantes, de ótima qualidade. Apesar de pequenos os garotos viviam em tempos de guerras e podiam ver armas daquele tipo o tempo inteiro, mas nenhuma se assemelhava aquela qualidade.

Thomas se abaixou pegando a aljava e colocando nas costas, logo em seguida o arco que apesar de tão belo era pequeno para um adulto, mas perfeito para uma criança, ele puxou a corda e para seu espanto não teve muitas dificuldades o arco parecia feito para ele. Havia ainda uma capa, ele a puxou jogando sobre o corpo.

- Olha Edgar eu sou o grande arqueiro do rei. Caçarei o pato real e matarei os inimigos do reino – Dizia Thomas com o arco em punho e puxando o capuz da capa sobre a cabeça.

O amigo gorducho parecia ter entrado num trase semelhante ao de Thomas ao descobrir o arco, ignorando completamente o amigo ele o empurrou e foi em direção ao baú. Após a capa ter sido removida, uma espada tão brilhante que emitia uma suave luz mesmo naquele canto escuro foi revelada e abaixo dela um escudo, ambos tinham o tamanho perfeito para o jovem Edgar, que devido ao seu tamanho avantajado brincava com as armas dos adultos.

O escudo trazia um brasão desconhecido, o símbolo de criatura estranha, um arco e uma aljava flutuando sobre uma espada mágica, ainda mais bela do que aquela que ele estava nas mãos. O amigo ao seu lado sorria contente, Edgar com escudo em uma mão e a espada na outra sorriu para o amigo que segurava o arco e já colocava uma flecha para testar o novo brinquedo.

Então um som de botas chegou ao ouvido dos garotos, eles ficaram assustados, olhando um para a cara do outro, então o som de botas aumentou quem quer que fosse chegava perto e parecia acompanhado por mais um ou dois par de botas, rapidamente eles pensaram em guardar as armas, mas o baú não estava mais no lugar. Uma sensação de medo tomou conta deles, Thomas esticou o arco instintivamente, Edgar segurou a espada em posição de ataque.

A porteira do estábulo quase foi arrancada do lugar, mãos grandes as puxaram sem qualquer cuidado, então as crianças gritaram apavoradas, em frente a eles duas criaturas com as armaduras ensangüentadas, presas a mostra e o símbolo da tribo orc. Eles estavam mortos, não havia duvida, seriam destroçados.

- Quanta carne, o gorducho é meu – A voz gutural do orc chegou ao ouvido dos pequenos e fez os seus corpos tremerem – Perninhas assadas! Bucho cozido!

O Orc soltava um tipo de risada ao que era acompanhado pelo companheiro ao seu lado, o que falara carregava consigo um machado retorcido, enquanto seu companheiro empunhava uma espada enferrujada e tosca. Eles riam e andavam em direção aos garotos que se olhavam paralisados de medo.

A mente de Thomas era a que mais imaginava o que aconteceria, via suas pernas sendo arrancadas aos poucos e seus braços sendo mordiscados por aquelas criaturas. Mesmo sem perceber a cada pensamento perturbador ele puxava ainda mais o arco, então o orc soltou um urro de dor e só então ele percebe que soltara a flecha que se cravou entre os olhos da criatura.

O grito da criatura soltou as amarras que seguravam Edgar no chão, ele partiu com espada em punho para cima do orc, a criatura hesitou apenas por um segundo, sem entender como o companheiro sucumbira, foi tempo suficiente para o gorducho gritando cravar a espada em seu estomago.

Mas o orc não caiu, dando um forte soco no garoto que caiu alguns metros para trás sentindo o gosto de sangue em sua boca, o orc puxou a espada da sua barriga e gritou para os garotos, Thomas tentava colocar uma flecha no arco, mas tremia tanto que não conseguia mais do que derrubar a segunda flecha no chão. Ele pensou que era o fim, mas estava errado Wolf correndo pulou contra o orc, mordendo ferozmente seu pescoço, Edgar furioso pegou a espada e novamente atacou a criatura que finalmente caiu sem vida, Wolf olhou para eles com um olhar de perdão.

Os garotos correram felizes para contar aos pais o que havia acontecido e carregavam consigo as suas novas armas, ao sair do estábulo viram um batalhão orc inteiro, se olharam então Thomas olhou para o amigo com o melhor sorriso que sabia e gritou.

- Corre! E dessa vez foi você quem começou.

A Liga Narrativa

A Liga Narrativa é uma iniciativa de blogueiros que todos os meses se juntam para escrever sobre um tema. O tema de fevereiro é Começo. Outros contos da Liga Narrativa:

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O Goblin - postou um total de 117 posts na Taverna do Goblin.

RPGista, Nerd e Geek esse é o Goblin. Uma criatura louca por RPG e que pratica o hobbie a mais de 10 anos e mesmo com inteligência 3 adora escrever. Joga muito Playstation 3 e não se cansa de conversar com os amigos.

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5 Comentários neste post

  1. Elisa Says:

    Não sei porque pensei que o gordinho fosse ficar com a espada e não com o arco.

    Muito legal o conto.

    [Responder]

    O Goblin Reply:

    Uai mais foi exatamente o que aconteceu. Thomas é o magrelo o gordinho é o Edgar que foi o cara que recebeu a espada. :D

    [Responder]

  2. Juca 999 Says:

    Bom conto (para um goblin). Lembrou-me o filme “Conta Comigo”. Bastante lúdico. E quem inventou esse “s” no tema “Começo”?. Até.
    Juca 999´s last blog ..Vai Começar a Peleja!

    [Responder]

  3. Jagunço Says:

    A culpa do “s” é minha, Juca. XD Já era. kkkk..
    E bom começo, coisa verde! Vamos para o próximo! :D
    Jagunço´s last blog ..Oitavo Espírito

    [Responder]

  4. O Goblin Says:

    haha Jagunço dessa vez eu vou tirar a responsabilidade das suas maos samuraicas….O S no meu conto é porque realmente é esse o nome do conto nao é o tema… Na verdade eu vou usar nossos temas para fazer um arco de historia do Gordinho e do Thomas por varios lugares, passando por varias coisas… Inclusive ja tenho até ideias para alguns dos temas discutidos por nós.

    Então dessa vez a culpa é 100% minha e o S esta ai por ser TITULO e nao para representar o Tema.

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  5. Druida das Pradarias Says:

    Ae Góblin, muito bom esse conto heim… conheço estas heráldicas.

    [Responder]

3 Trackbacks For This Post

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